Justiça em Portugal. Onde está?
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins
da Cruz, apeado por
causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua
filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando
os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa
não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são
arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem
saberemos quem eram as
redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão
de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que
os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
Clara Ferreira Alves - "Expresso" "
E porque não deixar também aqui um extracto de um texto que poderá ler na sua totalidade ao seguir este link.
"A (in)eficiência da Justiça Portuguesa
Problemas que levam os cidadãos a catalogar a Justiça Portuguesa como ineficaz.
Dificuldade em tornar a Justiça célere.
A elevada quantidade de processos e a falta de recursos infra-estruturais
e humanos, acarretam o arrastamento dos processos nos tribunais.
Dificuldade de informação dos cidadãos
em relação à Justiça.
O cidadão comum, para saber como defender os seus direitos, tem
de recorrer a um advogado.
Dificuldade em nivelar os cidadãos (Justiça
desigual).
Se não tiver condições financeiras, o cidadão
não consegue fazer valer os seus direitos. O cidadão da
classe baixa parte à partida derrotado.
Dificuldade dos cidadãos em fazer uso dos seus
direitos.
A situação actual da Justiça convida o cidadão
a não lutar pelos seus direitos (não vale a pena lutar pois
não leva a lado nenhum). Potência a criminalidade oculta,
levando o cidadão comum a reagir (exemplo: milícias populares).
Dificuldade de aplicação da Justiça.
Existem “manobras” que levam sempre à impunidade Judicial.
Os arrastamentos processuais não são por acaso.
Dificuldade em reformar a Justiça.
As reformas efectuadas não foram precedidas de estudos que previssem
razões de falta de eficácia na prática. Tendem em
ser reformas pontuais que tratam de sintomas e não da doença.
Existem “lobbies” que vivem da morosidade Judicial e aos quais
interessa que a Justiça seja ineficaz."
